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A árabe pilotou um F1 dias depois de seu país permitir que mulheres guiem automóveis. Foto: Reprodução

A árabe pilotou um F1 dias depois de seu país permitir que mulheres guiem automóveis. Foto: Reprodução

Alguns acham que o esporte não deve se misturar à política.

Não concordo.

Pintei minhas tornozeleiras de amarelo em 1984, nos tempos em que treinava na Portuguesa de Desportos.

Imitava o Sócrates, ídolo maior do meu time, que também fazia isso usando a cor símbolo das Diretas Já.

Outro dia, nesta Copa da Rússia, dois jogadores suíços, descendentes de kosovares, comemoraram seus gols fazendo o sinal da águia, que é o simbolo da Albânia. Kosovo, uma ex-província sérvia de maioria albanesa, obteve a independência em 2008, mas a Sérvia nunca a reconheceu. O jogo foi contra a Sérvia. 

Reinaldo, centroavante dos bons, o melhor que vi jogar, craque do Atlético-MG e da seleção brasileira, que teve seus joelhos destruídos por beques truculentos nos anos 70 e 80, comemorava seus gols erguendo o braço, punho cerrado, em alusão aos "Panteras Negras" e aos negros americanos que protestaram nos Jogos Olímpicos de 1968 contra o racismo. O protesto de Reinaldo tinha um alvo certeiro: os sanguinários ditadores brasileiros e da América do Sul.

No último domingo (24), em Paul Ricard, no retorno da Fórmula 1 à França, após uma lacuna de dez anos, a Renault deu uma "bola dentro" ao colocar uma mulher árabe no cockpit de uma Lotus Renault de F1 de 2012, para uma volta no traçado de Le Castellet: Aseel Al-Hamad, o nome da moça, que representa as mulheres na federação de automobilismo árabe.

E isso aconteceu dias após a Arábia Saudita ter permitido (pasmem), somente agora, em 2018, que mulheres guiem automóveis...

Sim, a presença de Aseel, com seus grandes olhos negros a bordo do E20 que um dia foi de Kimi Raikkönen, foi uma forma de dizer ao mundo que as mullheres, árabes ou de qualquer outro lugar deste planeta cheio de preconceitos e atrocidades, devem ocupar qualquer atividade, inclusive religiosa, certo, Vaticano?

Aseel deixou seu recado em entrevista à Reuters.

"Acredito que hoje não se trata apenas de celebrar a nova era de mulheres que estão começando a dirigir, mas também o nascimento de mulheres no automobilismo na Arábia Saudita, e o mais importante, que estou ansiosa para ver, é a próxima geração, de garotas jovens tentando o esporte a motor. Eu quero vê-las treinando e levando o esporte muito a sério como carreira. Esta vai ser realmente a minha maior conquista", disse Aseel.

Que seja mais que um desejo, uma espécie de profecia.

E, que a primeira vitória de uma árabe no esporte a motor, seja comemorada com o braço erguido. E o punho cerrado.

ABAIXO, VÍDEO COM ASEEL AL-AHMAD EM PAUL RICARD, GUIANDO UM F1.

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No 2º ano do primário, sua professora, a dona Mitsy, escolheu sua redação para que ele a lesse para toda a sala. Depois, as professoras de todas as outras séries do primário o convocaram para a mesma tarefa.

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