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Osmar Prado vive Kid Jofre, o pai certo para Eder. Foto: Marcos Júnior Micheletti/Portal TT

Osmar Prado vive Kid Jofre, o pai certo para Eder. Foto: Marcos Júnior Micheletti/Portal TT

Cairei no chavão de que se conselho fosse bom... O resto todos já sabem...

Mas, na esteira da emoção pela pré-estreia de "10 Segundos para Vencer", filme sobre a trajetória de Eder Jofre, bicampeão mundial de boxe por duas categorias (Galo e Pena), não resisti à tentação.

Durante a exibição na noite da útlima segunda-feira (10), em São Paulo, imaginei o quanto o filme pode ser bom para que pais e filhos o assistam, juntos de preferência.

Pensei na dupla Neymar, o pai e o filho, especialmente.

Kid Jofre, brilhantemente vivido por Osmar Prado, é um pai exigente. Com sua larga experiência como treinador de boxe, sabe que tem uma pedra preciosa dentro de sua humilde casa no bairro do Peruche, zona norte da capital paulista.

Eder Jofre, personificado com brilhantismo por Daniel de Oliveira, que acertou o tom com uma interpretação que coaduna força e leveza, vive o dilema de um futuro sem garantias. Ótimo desenhista, Eder se confronta com a possibilidade de uma carreira "normal" e a incerteza do boxe. Um esporte individual, muito mais difícil do que aquele praticado ao lado de 10 companheiros de time...

Kid Jofre foi decisivo. Me atrevo a dizer que Eder não teria chegado no patamar em que chegou sem ele.

Foi o pai que ajudou, como deve ser um pai.

Não ficou deslumbrado com o sucesso do filho.

O próprio Eder, em que pesem algumas poucas extravagâncias que teve, comuns à juventude, também não ficou embasbacado pelo guarda-roupas que passou a ter não mais apenas uma, mas dezenas de camisas de pano bom.

Lutou, primeiro, pelo irmão que sofria de câncer, Doga, e sua mãe Angelina, docemente encarnada por Sandra Corveloni. Depois, pela esposa Cidinha e os filhos Marcel e Andrea. Mas também lutou por ele mesmo, nunca pelos "parças".

Retomou sua carreira para vencer em outra categoria, após as contestadas derrotas para o japonês Harada.

Eder deu a volta por cima porque era talentoso demais e também por não ter um pai a lhe passar a mão na cabeça em momentos em que eram necessários "puxões de orelha".

Kid era duro mesmo, como está na película, ouvi isso de familiares e amigos com os quais conversei. 

Fez Eder emagrecer "a fórceps" para sua primeira grande vitória internacional. 

Tirava da boca de Eder a fatia cobiçada de pudim, seu doce predileto.

No fim das contas, e da vida, Kid "abre a guarda".

Doente, e vendo o filho voltar a vencer, adota uma postura quase materna, como deveria ser a postura de todo pai.

Deu o carinho que o filho merecia. Foi duro sem perder a ternura...

Neymar, que não é mais um menino, precisaria de um exemplo assim.

Eder prometeu ao pai que nunca ouviria a contagem de 10 segundos e cumpriu o prometido.

Não fez firula no ringue, nunca simulou os golpes que não "encaixaram"...

O sangue esteve ali, vermelho e denso no rosto.

Não era fácil ser Eder Jofre.

Mas ele foi...

ABAIXO, TRAILER DE "10 SEGUNDOS PARA VENCER"



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SOBRE O COLUNISTA

No 2º ano do primário, sua professora, a dona Mitsy, escolheu sua redação para que ele a lesse para toda a sala. Depois, as professoras de todas as outras séries do primário o convocaram para a mesma tarefa.

Após essa "maratona?, dona Mitsy lhe disse uma única frase, que ficou ressoando em sua cabeça por todos os anos que seguiram:

"Marcos, nunca deixe de escrever!?

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