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Williams de 2004 foi a última grande novidade, com seu aerofólio dianteiro em forma de `Prestobarba´. Foto: Divulgação

Williams de 2004 foi a última grande novidade, com seu aerofólio dianteiro em forma de `Prestobarba´. Foto: Divulgação

Dizem que a imaginação dos cancerianos é grande.

Os astrólogos atestam que a Lua, seu astro regente, é a culpada por isso.

Sou canceriano.

Tive a curiosidade de pesquisar meu mapa e também fiz uma consulta (impressionante) com um astrólogo védico, indicação de uma amiga.

Não sou um canceriano "comum".

Quando nasci, além do Sol, a própria Lua, Marte e Júpiter também estavam estacionados nos limites do caranguejo.

Vim ao mundo de parto normal em uma Lua Nova, algo que segundo o tal astrólogo é um fato raro.

Nem vou entrar em detalhes sobre Vênus em Gêmeos naquele domingo, 17 de julho, o que me traz problemas amorosos desde que me apaixonei pela primeira vez pela menina mais encrencada da escola, no 1º ano do Primário...

Cabelos desgrenhados, brava e com nome de cantora.

Aposto a retina do meu olho esquerdo, a que ainda não descolou, que era escorpiana.

Faço o preâmbulo (sou fã dessa palavra) para entrar no meu assunto favorito: corridas de carros.

Dois dos meus brinquedos favoritos na infância me tornavam um lunático projetista de carros de F1: os "Pinos Mágicos", ainda fabricados, e o "Poli", versão que precedeu o "Lego". De minha lavra saíram umas traquitanas até que bem arrumadas.

"Pinos Mágicos" e "Poli", ferramentas úteis para um projetista de carros na infância... Reprodução

Nos anos 70, início dos 80, os projetistas pareciam querer "inventar a roda", e os carros eram muito diferentes entre si.

Meu piloto favorito, o saudoso Vittorio Brambilla, aprontava poucas e boas a bordo de sua linda March cor de laranja que tinha um aerofólio dianteiro que mais parecia a pá de uma escavadeira virada para baixo.

Na mesma época, a Ferrari (de Lauda e Regazzoni) tinha uma asa à frente em uma única lâmina, enquanto a Tyrrell (de Scheckter Depailler), ainda que tivesse um bico semelhante à March de Brambilla, causava frisson com as seis rodas em seu icônico modelo P34.

Projetistas arriscavam muito... A March de Brambilla, a Ferrari de Lauda e a Tyrrell de Scheckter. Fotos: Divulgação

As linhas laterais dos carros também eram muito diferentes. 

Em uma época em que pouco se falava em "túnel de vento" e o computador era um sonho distante para substituir o suor sobre as pranchetas, o que valia mesmo era ter um motor potente. 

Por isso, o projetista que conseguisse o chamado "pulo do gato" no desenho do carro saía na frente.

Porém, hoje, parece que basta colocar as informações do regulamento em um sofisticado programa de computador para que o desenho do carro esteja pronto.

Claro, estou exagerando. Os motores tem tamanhos diferentes, tem os escapes, a distribuição de peso, o horrendo e pouco eficaz halo. Assim, tudo precisa ser calculado por uma cabeça pensante, além do que é pretensamente elaborado pelo computador.

Por isso, a impressão que dá, toda vez que um novo carro de F1 é lançado, como aconteceu com os dois que já foram apresentados até aqui, para a temporada de 2018, o Haas VF-18 e a Williams FW41, é a de que os projetistas tem um grupo no WhatsApp e ficam trocando "figurinhas", e que nenhum deles quer ser o "ponto fora da curva", e fazer algo diferente.

Parece mesmo que o nível de sofisticação do desenho dos carros chegou a um limite que impede isso.

A última grande revolução que vi, algo que realmente surpreendeu, foi o aerofólio em forma de "Prestobarba", ou "Dentes de Sabre" da Williams, em 2004.

Eu, se tivesse seguido minha pretensa vocação de projetista de carros de F1 com meus "Pinos Mágicos" e "Poli", sairia do grupo do WhatsApp e faria algo para ruborizar o geminiano Gordon Murray, meu projetista favorito.

Mesmo que o carro fosse o último do grid...

E pintaria uma Lua Cheia e um caranguejo no bico, pra dar sorte!

A Williams de Juan Pablo Montoya em 2004, última grande novidade em termos de desenho nos carros da F1, com seu aerofólio dianteiro em forma de `Prestobarba´. Foto: Divulgação

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SOBRE O COLUNISTA

No 2º ano do primário, sua professora, a dona Mitsy, escolheu sua redação para que ele a lesse para toda a sala. Depois, as professoras de todas as outras séries do primário o convocaram para a mesma tarefa.

Após essa "maratona?, dona Mitsy lhe disse uma única frase, que ficou ressoando em sua cabeça por todos os anos que seguiram:

"Marcos, nunca deixe de escrever!?

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