Bom-caratismo é notícia porque é raridade, mas deveria ser corriqueiro. Foto: UOL

Bom-caratismo é notícia porque é raridade, mas deveria ser corriqueiro. Foto: UOL

A honesta atitude do tricolor Rodrigo Caio, assumindo a culpa no lance em que Jô, seu adversário corintiano havia sido punido com cartão amarelo, mereceu destaque no pós-jogo em que o Corinthians derrotou o São Paulo por 2 a 0, ontem (16), no Morumbi.

Para quem não viu, Jô e Rodrigo Caio estavam no lance quando a bola chegou ao goleiro Renan Ribeiro, que foi atingido pelo são-paulino, mas o árbitro pensou ter sido Jô. O goleiro, por sua vez, fez um teatro enorme, induzindo o árbitro ao erro, malandragem demolida pelo companheiro de time.

Em uma época quando o bom-caratismo tornou-se raridade, a conduta do zagueiro é um "ponto fora da curva", para usar uma expressão contemporânea. "Mosca branca", como dizia minha avó.

Algo comum nas peladas que eu jogava em minha infância, no campinho de areia e pouca grama onde hoje fica a Câmara Municipal de Praia Grande. Aliás, sem árbitro, as peladas contam mesmo é com a sinceridade mútua. 

No caso de Rodrigo Caio, vale lembrar que era um jogo importante, semifinal do Campeonato Paulista, embate entre rivais de peso. 

Atitudes assim, normalmente só se veem naqueles jogos de exibição de fim de ano, beneficentes, quando pedaladas e chapéus são comuns e os jogadores se abraçam até com a bola rolando.

A "Lei de Gérson", do "gosto de levar vantagem em tudo" reina absoluta. Sempre reinou e continuará sendo padrão, "carne de vaca".

Pois, no dia-a-dia, o que mais se vê é o sujeito que "passa o carro pra frente" com defeito, enganando o comprador, ou aquele que "passa a perna" no colega para levar alguma vantagem no trabalho.

Dizem que aqui se faz, aqui se paga...

Em contrapartida, o bom-mocismo de Rodrigo Caio já começa a lhe trazer bons frutos.

Atitude que deveria ser vista apenas como normal, como o cidadão que avisa o caixa do mercado quando este lhe dá troco a mais.

Exemplo a ser seguido.

E já está na hora das federações estaduais e da CBF instituírem a medalha de fair play!

Fica a sugestão: Medalha Rodrigo Caio de Fair Play!

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SOBRE O COLUNISTA

No 2º ano do primário, sua professora, a dona Mitsy, escolheu sua redação para que ele a lesse para toda a sala. Depois, as professoras de todas as outras séries do primário o convocaram para a mesma tarefa.

Após essa "maratona?, dona Mitsy lhe disse uma única frase, que ficou ressoando em sua cabeça por todos os anos que seguiram:

"Marcos, nunca deixe de escrever!?

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