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Finlandês parece um funcionário burocrático e infeliz. Foto: UOL

Finlandês parece um funcionário burocrático e infeliz. Foto: UOL

Entre os bons provérbios que ouvi em casa durante minha infância, um dos meus favoritos é "Deus dá noz a quem não tem dentes".

A dura fruta seca que por essas bandas tropicais comemos na época mais errada do ano, o Natal, em pleno verão, não desmancha na boca como um gomo de bergamota.

Quando vejo um sujeito como Kimi Raikkonen no grid da Fórmula 1, ainda por cima acomodado (em todos os sentidos) dentro do cockpit de uma Ferrari, lembro desse provérbio.

Ninguém é obrigado a ser apaixonado por sua profissão, aliás, a maioria das pessoas que conheço trabalha durante a semana não vendo a hora da chegada do happy hour, que começa às 18h01 de sexta-feira e termina no domingo à noite, às vezes na madrugada de segunda.

Raikkonen parece aquele funcionário que bate cartão às 9h, faz uma hora cronometrada para o almoço e às 18h em ponto está em pé, pronto para deixar o trabalho.

Por mais que eu tente, não consigo entender a frieza do finlandês campeão de 2007.

Ser piloto de F1 nos dias de hoje, onde apenas 20 almas alinham em um grid, é uma tarefa das mais difíceis, tipo ser astronauta ou Miss Universo. Em uma Ferrari, então...

Claro, o sujeito pode ficar com cara de poucos amigos quando é superado pelo companheiro de equipe, como habitualmente acontece com Raikkonen em relação a Vettel, que hoje tem quase o dobro de seus pontos (262 a 116) e lidera o campeonato.

Quando sobe ao pódio, como coadjuvante na foto, Raikkonen dificilmente mostra os dentes. No máximo, um sorriso de Monalisa.

Pensando no título de pilotos de 2017, a Ferrari resolveu renovar o contrato de Raikkonen, apostando que com conta bancária ainda mais robusta, poderá segurar as Mercedes de Hamilton e Bottas, e permitir que Vettel vença, finalmente, um campeonato com um carro que não seja a Red Bull.

Então, em 2018, ao invés de Vettel sofrer alguma pressão real, com companheiros fogosos, da estirpe de um Verstappen ou Ocon, (eu seria mais radical e apostaria logo em Leclerc) por exemplo, terá o protocolar, quase burocrático Raikkonen como fiel escudeiro, o piloto que continuará a desfrutar da cobiçada Ferrari, ainda que não tenha apetite para tal...



 

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SOBRE O COLUNISTA

No 2º ano do primário, sua professora, a dona Mitsy, escolheu sua redação para que ele a lesse para toda a sala. Depois, as professoras de todas as outras séries do primário o convocaram para a mesma tarefa.

Após essa "maratona?, dona Mitsy lhe disse uma única frase, que ficou ressoando em sua cabeça por todos os anos que seguiram:

"Marcos, nunca deixe de escrever!?

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