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Espanhol poderia repetir o que fez John Surtees. Foto: Marcos Júnior Micheletti/Portal TT

Espanhol poderia repetir o que fez John Surtees. Foto: Marcos Júnior Micheletti/Portal TT

O espanhol Marc Márquez, tetracampeão da MotoGP, caminhando a largos passos para o penta, guiou um F1 pela primeira vez, na última terça-feira (5).

Piloto da Honda, o astro das duas rodas participou de uma ação da montadora japonesa, fornecedora do propulsor da Toro Rosso, para algumas voltas na pista austríaca de Spielberg com um modelo da temporada de 2012, o STR7.

Aos 25 anos, Márquez tem contrato com a Honda para guiar no Mundial da MotoGP até o final de 2020. 

Há pouco mais de um ano, durante coletiva promovida pela Honda e a cervejeira Estrella Galicia, em São Paulo, indagado por Claudio Carsughi sobre a possibilidade de fazer como John Surtees, que migrou das motos para os carros, onde foi campeão mundial de F1, Márquez descartou a possibilidade e trocar as motos pelos carros.

"Não creio que eu vá correr na F1, no meu caso é impossível. Há os pilotos de F1 especializados, que andam em carros desde muito pequenos. O meu mundo é das motos", atestou Márquez.

As pessoas mudam de ideia. E devem mudar mesmo.

"Experiência incrível conduzindo um F1! Sem palavras para descrever, muito satisfeito", disse Márquez ao término do teste com a Toro Rosso.

Marc Márquez, em sua primeira experiência a bordo de um carro de F1. Foto: Toro Rosso/Divulgação

Talvez a pretenção maior do espanhol seja igualar, melhor, superar o número de títulos de Valentino Rossi, que soma seis.

Matematicamente falando, Marc tem tempo suficiente para isso, até concluir seu contrato com a Honda em 2020.

E, caso consiga, bem que poderia mesmo trilhar o mesmo caminho de Surtees, heptacampeão nas motos e campeão da F1 em 1964.

De lá para cá, puxando pela memória, lembro do caso do venezuelano Johnny Cecotto, bom nome do motociclismo nos anos 70 (campeão nas 350cc em 75), que guiou na F1 em 1983 e 1984, neste último ano sendo o primeiro companheiro de equipe de Ayrton Senna, na Toleman.

Porém, Cecotto foi um coadjuvante na F1. Apenas um ponto, em 1983, pela Theodore. Deixou a categoria em 1984, após um grave acidente nos treinos para o GP da Grã Bretanha, em Brands Hatch.

Já passou da hora de um nome de peso do motociclismo tentar igualar o feito de Surtees.

A justificativa de Márquez, dizendo que "há os pilotos de F1 especializados, que andam em carros desde muito pequenos", até pode convencer alguns, mas não ´cola´para os padrões atuais dos carros, ´pregados´no chão e com muita assistência.

Nos anos nas quatro primeiras décadas da F1 era muito importante fazer a "escadinha", subir degrau a degrau para chegar apto à categoria máxima do automobilismo.

Fazendo uma comparação, alguns grandes nomes das motos em ralis, quando foram para os carros, tiveram sucesso.

O caso mais relevante é o do francês Stéphane Peterhansel, 13 vezes campeão do Rali Dakar (seis nas motos e, depois, mais sete nos carros).

Já conversei com pilotos que passaram das motos para os carros em ralis, e todos foram categóricos em dizer que tinham muito mais os `macetes´para encarar os obstáculos dos trajetos por conta da dificuldade maior nas motos.

Claro, terra e asfalto são diferentes, mas a coragem que o sujeito precisa ter a bordo de uma moto a mais de 340 quilômetros por hora, ajuda, e muito, quando o velocímetro aponta esta mesma velocidade em um carro.

Marc Márquez não precisa provar mais nada no motociclismo.

Eu, em seu lugar, tendo uma proposta boa tecnicamente, toparia o desafio.

Viraria a página e me equilibraria no conforto dissonante das quatro rodas.

Márquez em Spielberg, na Áustria. Foto: Toro Rosso/Divulgação

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SOBRE O COLUNISTA

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