• Denis merece respeito e um novo clube longe da sombra de Ceni

    - Por Fábio Salgueiro / há 2 meses

    O futebol é cruel. O fanatismo que contamina os torcedores faz muitas vítimas no mundo da bola. Jogadores que convivem com a idolatria e o desprezo. Da noite para o dia. Algo que foge do controle, pois mexe com um sentimento de amor pelo clube que brota de uma maneira doentia, quase sempre sem limites.

    Denis, um dos goleiros do São Paulo, busca há mais de um ano ser o grande substituto de Rogério Ceni. Não conseguiu e não conseguirá. Queimou-se no gol tricolor e no coração da torcida. Nunca será idolatrado. Odiado já é. Sim, o ódio é uma palavra forte, mas retrata bem o atual sentimento do torcedor para com o camisa 1. Triste.

    Dênis merece respeito como qualquer pessoa. E pelo lado profissional, tem o direito também de vencer num novo clube. Uma agremiação que abra as portas para ele que é um bom goleiro e não um péssimo arqueiro como os torcedores tricolores aprenderam a classificá-lo. Bobagem isso...

    O camisa 1 precisa estar num clube bem distante da sombra de Ceni. O ex-camisa 1 do São Paulo pesou nas costas de Denis. Substituir o mito foi algo que Denis não conseguiu. Isso é um fato. Uma realidade.

    O torcedor são-paulino tem essa certeza. Rogério também sabe disso.

    Se pudesse, pediria diretamente ao presidente Leco, do Tricolor, para que liberasse Denis. Por respeito e gratidão. De graça. Rumo a um novo clube, onde ele pudesse jogar. Ser feliz e menos odiado. Ele merece. O São Paulo precisa. Vai com Deus, Denis!

    O goleiro é boa pessoa. Foi sempre um reserva aplicado e sonhador. Um companheiro silencioso de Ceni, quando o ídolo construía sua fama de mito com títulos, gols e defesas fantásticas no gol tricolor. Denis esperou por sua vez pacientemente. Ela chegou. Mas Denis não vingou. Normal, acontece...

    E chegada a hora de pensar no ser humano. Denis merece jogar e ser feliz. Ele não é mau goleiro. No meu time jogaria, ou melhor, disputaria disposição. No São Paulo ele nunca jogará. Sempre estará na mira da torcida. O fanatismo torna as pessoas cruéis. No futebol é assim.

    Que Denis seja feliz num outro clube. E que o São Paulo encontre um camisa 1. Não à altura de Rogério Ceni, mas que possa alimentar uma boa relação com a torcida. Será difícil, mas é necessário.

     

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  • Barça épico na bola e no apito

    - Por Fábio Salgueiro / há 2 meses

    Negar que foi uma vitória épica é brigar com os desuses da bola, ir contra os fatos e manter uma postura de turrão, que não combina com esporte. Agora, jogar também na conta da arbitragem o feito histórico do Barcelona sobre o PSG é uma obrigação que tenho com minha consciência.

    Sim, o feito do Barcelona terá sempre aspas no que depender de mim. Por quê? Pois o juiz foi decisivo não na vitória do Barcelona, que foi merecidíssima, mas na classificação do time espanhol.

    O juiz foi tão decisivo na partida quanto a genialidade de Neymar, que fez a diferença, chamando a responsabilidade com talento, assistências e dois gols, sendo um golaço de falta.

    Os amantes do futebol amaram o jogo. Pergunto: tem como não amar uma partida assim? Tenho certeza que existem pessoas em êxtase até agora. Normal... Mas escrevi após o jogo e reitero aqui: não consigo vibrar com uma vitória épica assim diante dos erros da arbitragem. É questão de postura. E isso não me torna rabugento, tampouco menos apaixonado pelo futebol-arte.

    O duelo era decisivo. A vaga para as quartas de final estava em jogo e milhares de milhões em campo, já que o duelo envolvia dois dos maiores clubes do planeta. Os erros do árbitro foram se diluindo no jogo, até chegar ao ponto máximo de dois pênaltis absurdamente marcados para o Barcelona.

    O primeiro, em Neymar, com muito boa vontade pode-se alimentar uma polêmica. Já o segundo, em Suárez, bizarro, crasso, triste...

    Se o de Neymar pode-se marcar, então porque não anotar um para o PSG, em cima de Di Maria? Um só... Os defensores da vitória acima de qualquer crítica à arbitragem relativizarão a discussão, com o famoso: os erros foram para todos os lados. Não foram. Reveja o jogo, despido de fanatismo, e notará que o apito pesou absurdamente para apenas um lado.

    O triunfo do Barça foi épico e a festa também entre os brasileiros amantes do clube catalão. Não sei se a arbitragem foi esquecida pelos fanáticos pelo fato de por aqui sempre se enaltecer a malfadada máxima de que “roubado é mais gostoso”.

    Fato é que parabenizo o Barcelona pela vitória, mas critico a vaga conquistada da forma que foi. O jogo foi épico, sim, mas a arbitragem também. Sou cidadão espanhol, fruto dos meus avós maternos, que vieram para cá desde muito cedo, vindos da cidade de Granada, e tenho enorme simpatia pelo Barcelona. Mas minha consciência me impede de enaltecer o triunfo como se nada tivesse acontecido com a arbitragem. Questão de postura. Para alguns, pura rabugice. Pra mim, justiça na opinião.

     

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  • Futebol moderno naufraga no Brasil

    - Por Fábio Salgueiro / há 2 meses

     

    No Brasil, o futebol moderno se perdeu. Ou pior, apresenta um produto que despenca em qualidade e em apelo junto ao amante do esporte. E por vários motivos, é verdade. Fato é que o esporte número um do brasileiro perde pegada a cada ano. A emoção é ainda grande,  a paixão ainda é arrebatadora entre os torcedores, mas os amantes do esporte estão cada dia está mais distantes dos estádios de futebol.

    No final de semana, o Fla-Flu, um dos clássicos mais charmosos do planeta, apresentou pouco mais de 24 mil torcedores presentes ao estádio Nilton Santos. Num comparativo, o clássico paulista entre Corinthians e Santos, no sábado, em Itaquera, teve um público de cerca de 36 mil pagantes.

    No Rio, o clássico teve a presença das duas torcidas, após muita briga nos bastidores. Já no duelo de São Paulo, a torcida única imperou, numa derrocada (mais uma!) das autoridades diante da violência dos marginais.

    Os duelos apresentavam também um apelo distinto na expectativa dos torcedores: o Fla-Flu era a decisão da Taça Guanabara. Já o clássico paulista apenas um jogo de meio de tabela, de um Paulistão que hoje pode ser chamado de Paulistinha por causa do pouco apelo junto aos torcedores.

    Fica muito claro que o futebol mudou por aqui. E pra pior. Nos anos 80, o Fla-Flu era jogado no Maracanã, que até então tinha o status de “maior do mundo”, e com 120 mil pagantes.

    Já Corinthians e Santos jogavam no Morumbi e também para um público de mais de 100 mil torcedores. E o público comparecia mesmo em jogos do estadual, que também tinha outro apelo. Tudo muito diferente.

    O futebol perde força a cada ano. A paixão segue igual, mas o torcedor está cada vez mais distante do espetáculo. E por dos motivos cruciais: ou por receio da violência descabida e aceita de forma passiva pelas autoridades, que tira a liberdade do amante do esporte de ir ao estádio ou andar pelas ruas com a camisa do seu clube do coração ou pelo famigerado sistema imposto pelo futebol moderno, onde o consumidor do futebol precisa ser “sócio” do clube para adentrar ao estádio.

    Foi-se o tempo que o torcedor tinha a liberdade de adquirir os ingressos quando e como quisesse. Decisões assim elitizam o esporte mais popular do país e distanciam também o torcedor que não dispõe de recursos para alimentar sua paixão pelo clube.

     

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  • Tevez puxa fila dos astros da milionária liga chinesa

    - Por Fábio Salgueiro / há 2 meses

    A milionária temporada 2017 da liga chinesa começa nesta sexta-feira e será destaque no Canal Bandsports. Com grandes estrelas, os chineses prometem chamar atenção do mundo com astros que aceitaram jogar por lá diante de cifras milionárias e renderão, além de manchetes mundiais, uma injeção de técnica e talento ao futebol chinês.

    O grande destaque desta nova temporada será Carlitos Tevez, ex-Corinthians e Boca Juniors, que se mudou para a Ásia para atuar no Shanghai Shenhua, com um contrato que o tornou o jogador mais bem pago do mundo.  

    Na cola do argentino, um brasileiro se destaca também por um contrato milionário: o meia Oscar, ex-Chelsea e que disputou a última Copa do Mundo como titular da seleção brasileira. Com a camisa do Shanghai SIPG, Oscar será uma estrela que irá faturar cerca de 22 milhões de euros/ano.

    A primeira rodada apresenta os seguintes jogos:

    Sextas-feira: Guizhou Zhicheng x Liaoning

    Sábado

    Guangzhou R&F x Tianjin Quanjian

    Shanghai East Asia x Changchun Yatai

    Shandong Luneng x Tianjin Teda       

    Chongqing Lifan x Yanbian

    Domingo

    Guangzhou x Beijing Guoan

    Henan Jianye x Hebei

    Shanghai Shenhua x Jiangsu Suning

     

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  • Crias do terrão com a bola cheia

    - Por Fábio Salgueiro / há 3 meses

    A vitória do Corinthians diante do Palmeiras, no dérbi do centenário, em Itaquera, ofereceu ao Alvinegro mais do que os três pontos e a satisfação de triunfar sobre o maior rival. A vitória apontou um caminho a ser seguido pelo clube: apostar na molecada das categorias de base.

    Mesmo Jô, agora experiente e autor do gol da vitória sobre o Alviverde, nasceu também no terrão do Parque São Jorge. Estou convicto de que só a garotada para dar uma sobrevida ao clube, que sofre com o financiamento do estádio e outras mazelas administrativas. Sem dinheiro em caixa e com um time tecnicamente deficiente, a saída mais sensata e inteligente é apostar na categoria de base.

    Vale lembrar que os garotos acabaram de se sagrar campeões da Copa São Paulo de Futebol Júnior.

    O triunfo sobre o Palmeiras mostrou Maycon, Arana e Léo Jabá, todas crias do terrão, sendo destaques. Não sentiram a pressão do dérbi e foram eficientes com e sem a bola nos pés. Maicon, inclusive, fez a jogada do gol de Jô. Jabá e Arana atuaram como veteranos.

    Já no elenco profissional, o Corinthians tem outros novatos que merecem ter uma chance, assim como nas categorias de base existe uma legião de jovens promessas à espera de uma chance. É só a diretoria apostar. A Fiel apoia e mostrou isso no dérbi, quando incentivou do início ao fim o time e, em especial, os garotos.

     

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    Foto: Daniel Augusto Jr. / AG. Corinthians

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SOBRE O COLUNISTA

Paulistano com muito orgulho, Salgueiro, como é conhecido, é pisciano, jornalista diplomado, repórter fuçador, irriquieto e um cidadão inconformado. Engatinhou na profissão na Rádio CBN, onde aprendeu muito no rastreio das informações. Depois seguiu para a imprensa escrita, no DIÁRIO POPULAR, que virou mais tarde DIÁRIO DE SÃO PAULO, permanecendo por lá 14 anos. Nos últimos anos colaborou com v&a... Saiba Mais