• A "são-paulinização? do Corinthians. E a luta do São Paulo contra a "corintinização?

    - Por Fábio Lucas Neves / há 4 anos

    Mente o corintiano que bate no peito e ainda se diz "maloqueiro e sofredor?. Em 2007, quando o rebaixamento no Brasileirão foi consumado, o presidente da época, Andrés Sanchez, foi profético, com lágrimas nos olhos: "Que os rivais deem risada agora?. Ele tinha razão. Nos cinco anos seguintes, o Timão saiu da Série B para iniciar uma arrancada inimaginável rumo ao topo do planeta.
     
    Ronaldo ajudou o Alvinegro a diminuir o abismo que o separava do business da bola. Uma das marcas mais valiosas do Brasil, finalmente, virou sinônimo de rentabilidade. O "peso? do Fenômeno avalizou contratos astronômicos. Com um time vencedor, o corintiano começou a pagar caro para ir ao Pacaembu, sempre lotado. A era dos "maloqueiros? havia dado lugar aos almofadinhas da tribuna.
     
    A transformação do "time do povo? em uma máquina de ganhar títulos e dinheiro teve uma inspiração clara. Quem conhece minimamente Andrés sabe da obsessão que ele sente pelo São Paulo. É uma paixão doentia. Às avessas, é claro. Entretanto, esperto como é, o dirigente aproveitou-se da zona de conforto em que se encontrava o desafeto Juvenal Juvêncio para ocupar o espaço do rival.
     
    Como se tivesse um Milton Cruz, o Timão passou a fazer contratações baratas e cirúrgicas. Alessandro, Chicão, Ralf, Elias, Paulinho e Douglas não nos faz remeter a Cicinho, Fabão, Mineiro, Josué, Grafite e Danilo? À la Telê Santana e Muricy Ramalho, Mano Menezes e Tite tiveram muito tempo para desenvolver o trabalho e mostrar competência, apesar das turbulências. Deu no que deu.
     
    A "clonagem? não parou por aí. O Corinthians passou a ter uma comissão técnica permanente, um "Reffis? com equipamentos de alta tecnologia e um CT moderno e afastado da sede do clube. Por fim, o repórter Rodrigo Vessoni revelou essa semana no Lance! que o Alvinegro terá um Centro de Treinamento de primeiro mundo para abrigar as categorias de base. Alguém aí pensou em Cotia?
     
    Fora de campo, Sanchéz articulou-se politicamente até ficar forte o bastante para enfrentar Juvenal. O resultado: implosão do Clube dos 13, exclusão do Morumbi da Copa e a consequente construção do Estádio de Itaquera. O dirigente do Tricolor, enfraquecido pela "petulância? do aprendiz, passou a agir como antigos cartolas do... Parque São Jorge.
     
    A demissão atabalhoada de treinadores,  a troca constante de preparadores físicos, a contratação sem planejamento de atletas, a nomeação de diretores fracos e, ainda, a perda de força nos bastidores já seriam erros graves, mas que tornam-se equívocos mínimos se comparados à perpetuação de Juvêncio no poder. Quem diria que Wadih Helu e Alberto Dualib fariam escola no Morumbi?
     
    O retorno à Taça Libertadores e o dinheiro da venda de Lucas, que deverá ser traduzido em reforços de peso, enchem os tricolores de confiança para 2013. O "inimigo? a ser batido é o Corinthians. Um clube cujos defeitos e "virgindade? internacional eram vistos como piada na Zona Sul. E hoje é dono de um espaço que o São Paulo terá que reaprender a conquistar.

    No Twitter: @fabiolucasneves

    Foto: UOL

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  • A estrela do Mundial foi a Fiel

    - Por Fábio Lucas Neves / há 4 anos

    Se o futebol é emocionante por causa da imprevisibilidade, a lógica consegue explicar o porquê de a bola não entrar por acaso no gol adversário. O Corinthians iniciou o processo de conquista do planeta ao apostar na continuidade do trabalho do seu técnico, humilhado ou "toliminado? sem dó na temporada anterior. De lá para cá, o treinador dispensou as estrelas para montar um grupo sem vaidade. Um elenco condicionado a engolir o ego para priorizar o conjunto. Um time que ganhou de um Chelsea mais forte por ter acreditado na "política do merecimento? de Tite. Joga quem está melhor. Simples.
     
    Respaldado pelos atletas, já faz tempo que o gaúcho acerta tudo. O perdão ao "rebelde? Chicão em 2011. A saída de Adriano no começo de 2012. A troca de Júlio César por Cássio depois do Paulista. A aposta no recém-chegado Romarinho na Bombonera. A insistência em Guerrero. A substituição cirúrgica de Douglas por Jorge Henrique diante do Chelsea. Em um esporte cada vez mais marcado pela superficialidade das relações, Tite foi capaz de resgatar valores que andam esquecidos no mundo do futebol: comprometimento, caráter, união e respeito. O mundo, agora, está de prova.
     
    O ano superlativo do Timão foi marcado pela "invasão? da Fiel ao outro lado do planeta. A presença de milhares e milhares de corintianos no Japão foi tão marcante quanto o título. A polêmica sobre o número real de alvinegros que atravessaram o globo torna-se minúscula perto da grandiosidade da festa. A batucada de centenas em um simples treino da equipe na remota Kariya, na região de Nagoya. O "mar preto e branco? na chegada dos torcedores aos estádios de Toyota, na semifinal, e Yokohama, na decisão. O enorme número de bandeiras e faixas espalhadas pelos quatro cantos das duas arenas. 
     
    A Fiel recebeu elogios até dos executivos gelados da FIFA e foi tema de perguntas de jornalistas ingleses ao técnico e atletas do Chelsea, além de pauta para emissoras como a CNN e a BBC. Entretanto, ainda há quem tente diminuir a "invasão?. Aos céticos, ou invejosos, sugiro que ouçam com os olhos fechados à narração feita por José Silvério, na Rádio Bandeirantes, do gol de Guerrero. A precisão com que o locutor descreve o lance é acompanhada pelo aumento do "frisson? vindo das arquibancadas. No momento em que a bola entra, é impossível não sentir-se no Pacaembu.  Impressionante. Inesquecível. 
     

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  • Tietagem marca despedida do Corinthians do Japão. Por @fabiolucasneves

    - Por Fábio Lucas Neves / há 4 anos
    De Frankfurt, Alemanha
    Fotos e texto: @fabiolucasneves


    O Corinthians deixou o Japão na manhã de segunda-feira, por volta das 10h25, pelo horário local, com destino à Alemanha. Houve tietagem no portão de embarque do voo LH 711 da Lufthansa.

    Emerson Sheik foi um dos mais festejados. Cerca de 100 torcedores do Alvinegro acompanharam a delegação a bordo.

    Herói do título mundial, o peruano Paolo Guerrero recebeu o carinho de uma admiradora japonesa. O atacante não seguirá ao Brasil com a delegação para resolver problemas particulares aqui na Alemanha.

    Em Narita, Tite foi cumprimentado e tratou os fãs com extrema educação. "Aos poucos, a ficha está caindo. O que nós fizemos foi muito grande. Não vejo a hora de chegar em casa e acompanhar o VT da partida com os olhos de um simples torcedor para reviver toda aquela emoção", disse.

    A chegada à chuvosa e fria Frankfurt aconteceu às 14h30, pelo horário local, depois de 12 horas de voo. O elenco está nesse momento em um hotel dentro do aeroporto, onde passará as 8 horas de conexão. O avião que finalmente levará os campeões do mundo ao Brasil deixará a Europa às 22h. A chegada em Cumbica está marcada às 7h15. Imagina a festa...
    Agradecimento

    Por amostragem, agradeço aos amigos Gustavo Zupak, da Rádio Globo, e Rodrigo Vessoni e Felipe Bolguese, do Lance!, pelo trabalho da mídia brasileira no Mundial vencido pelo Corinthians. A cobertura da imprensa em Dubai, no Japão, principalmente, e nessas horas de conexão aqui na Alemanha foi total, sem tempo para descanso. Há jornalistas tão esgotados mentalmente quanto os jogadores, sem demagogia. Também ficamos longe de casa, passamos frio e sofremos pressão por excelência no trabalho. Sem fogos de artifício ou desfile aberto em carro do Corpo de Bombeiros, seremos recebidos como heróis pelos nossos familiares. A saudade é gigante.
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  • Estrela do título mundial do Corinthians foi a torcida. Por @fabiolucasneves

    - Por Fábio Lucas Neves / há 4 anos
    De Yokohama, Japão
    Texto e fotos: @fabiolucasneves


    Os corintianos proporcionaram um espetáculo inesquecível em Yokohama. Eternamente, haverá discussão sobre o número aproximado de torcedores no estádio. Até porque os rivais se recusam a aceitar a existência da "invasão" ao Japão. De qualquer forma, a polêmica se torna minúscula perto da grandiosidade do show dado pela Fiel.

    As arquibancadas foram pintadas de preto e branco. O Timão jogou com o clima do Pacaembu do outro lado do planeta. Sem exagero. O apoio foi maciço e irrestrito. Emocionante.

    Também havia ingleses no Yokohama Stadium, claro. Eles até tentaram apoiar os Blues, mas os gritos foram sufocados. As vozes dos brasileiros ecoaram durante quase toda a partida.

    "Amparado" pela Fiel, os jogadores alvinegros encararam o Chelsea de igual para igual. No ritmo da canção da torcida, o Corinthians ganhou do campeão europeu. E convenceu com um futebol eficiente e organizado.

    Gigante, Cássio foi o eleito o melhor em campo. A defesa do gaúcho no chute de Moses, no primeiro tempo, nunca sairá da memória dos torcedores.

    Alessandro teve a honra de erguer a taça. O lateral-direito contou com a ajuda fundamental de Jorge Henrique para anular o meia-atacante belga Hazard, que foi substituído na etapa final.

    O mundo é da Fiel. Corintiano, pode comemorar sem moderação. Você merece.
    Curiosidades

    Quando subiu ao palco montado na beira do gramado para ganhar o prêmio de melhor em campo, o goleiro Cássio recebeu um abraço apertado do presidente Mário Gobbi, observado pelo manda-chuva da CBF, José Maria Marin.

    Pelas arquibancadas do Yokohama Stadium, a Fiel espalhou faixas que identificavam a origem do torcedor. Bairros paulistanos como a Mooca foram "representados" na decisão. Também havia alvinegros de todas as partes do Brasil e do exterior.

    Momentos antes de Alessandro levantar o troféu, os atletas do Chelsea aguardavam no campo o fim do cerimonial. Com frio e irritados, os britânicos olhavam para os corintianos com ar de desolação. Mas não são os europeus que não ligam para o Mundial? À direita, o herói Guerrero segura a bandeira do Peru, entregue assim que a decisão terminou.

    O Chelsea conseguiu balançar as redes do gol de Cássio, mas Fernando Torres estava impedido quando finalizou.

    Nos segundos que separaram a conclusão do lance e a consequente anulação pelo árbitro turco Cuneyt Cakir, o coração de alguns alvinegros parou...

    E a "explosão" quando aconteceu o gol de Guerrero? Corintianos se abraçavam, choravam, gritavam. A essência do clube - a torcida - foi apresentada ao Japão de uma maneira nobre. Os nipônicos ficaram impressionados.

    O Yokohama Stadium teve uma noite de Pacaembu.


    Clique nas matérias e nas fotos e leiam outras matérias dos nossos correspondentes no Japão





    Chegou a hora


    Dedo em riste

     Fiel minoria


     Arrebata corações

     
    Vitória preocupante

     Chegada no estádio

     
     
     
    O termômetro
    da decisão
     
    A ajuda do trem-bala à cobertura do Mundial
     
     

     
     
     
     

     
     
     
     
    Fiel marca presença

     De olho no topo do planeta
     
    Corinthians e o fuso horário
     
     Dubai encanta até os insones


    À sobremesa verde e branca rumo a Dubai
     

     
     
    Bando de Loucos:
    Um sujeito de coragem



    Bando de loucos: o semestre não existiu 
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  • Chegou a hora, Corinthians! Por @fabiolucasneves

    - Por Fábio Lucas Neves / há 4 anos
    De Yokohama, Japão
    Fotos e texto: @fabiolucasneves


    Esse é o estádio em que o Corinthians poderá fazer história no Japão. Daqui a pouco, milhões e milhões de torcedores estarão de olho nesse gramado.

    Jorge Henrique será a novidade de Tite para a decisão contra o Chelsea. Feliz da vida com a oportunidade, o meia-atacante terá a missão de frear os avanços de Ashley Cole e auxiliar Alessandro na marcação do belga Hazard.

    Na entrevista coletiva, Tite usou expressões das arquibancadas como "É nóis, mano" e "Vai, Corinthians". O treinador esbanja confiança. "A possibilidade de conquista é real", afirmou.

    A Fiel compartilha o sentimento do técnico de que é possível superar o time inglês. Na chegada ao Yokohama Stadium, os torcedores até provocaram os Blues. Cerca de 25 mil alvinegros acompanharão a partida.

    O entusiasmo dos brasileiros contagiou alguns japoneses.

    De todas as idades.

    Até mesmo os que vestiam a camisa da equipe londrina quiseram registrar a festa em preto e branco.

    Como era esperado, a maioria esmagadora dos nipônicos apoiará o Chelsea...

    Mas nada que assuste a Fiel, cuja mobilização impressionou até a Fifa. A "invasão" foi marcante, inesquecível...

    E pode ser coroada com o título mundial. Chegou a hora, Corinthians.


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    Chegou a hora


    Dedo em riste

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SOBRE O COLUNISTA

Iniciou a carreira em 1999 na Rede Bandeirantes de Rádio. Passou pela Rádio Jovem Pan e empunhou por seis anos o microfone da TV Record. Desde março de 2008, é editor-chefe do site Terceiro Tempo. Em julho do mesmo ano, foi contratado para integrar o time de repórteres da Band.