• Mas ainda somos o País do futebol?

    - Por Fábio Lucas Neves / há 3 anos

    O futebol brasileiro perdeu. Não foi a CBF.

    Não foi o presidente da entidade.

    Não foi o jornalista que você chama de "Pacheco".

    Não foi só o jogador que você ama com a camisa amarela.

    Nem aquele que você faz questão de xingar.

    Você perdeu.

    Eu perdi. Nós perdemos. A nossa história perdeu.

    As cinco estrelas perderam brilho.

    O peso da nossa camisa enverga menos o varal.

    Fomos humilhados.

    Essa é uma catástrofe conjunta.

    Somos todos derrotados.

    Somos todos juvenis diante de uma potência que riu da nossa cara em território verde e amarelo.

    Rasgou, com simpatia e sem quebrar a porta, a nossa bandeira de melhor futebol do mundo.

    Pachecos, aquele abraço.

    Perdemos a hegemonia.

    E, vocês, o motivo de existir.

    A não ser que seja apenas pelo passado.

    Apesar do pentacampeonato recente, o nosso futebol ficou anos-luz atrás do melhor praticado pelo mundo afora.

    Acabou a era do “Scolarinismo”.

    Preleções “épicas” com pagodes de gosto duvidoso já não convencem.

    O discurso motivacional, consagrado indiretamente por meio de dribles de puro instinto dentro de campo, deixou de colar.

    Felipão, obrigado por tudo, mas o chimarrão te espera em Passo Fundo.

    E, na sua esteira, caro treinador gaúcho, estão nomes como Muricy, Oswaldo, Luxemburgo, Mano, Abel, Ney e tantos outros.

    O maior legado da Copa no Brasil para o futuro do nosso futebol é a necessidade do intercâmbio de culturas. Amigos, a nossa supremacia no futebol acabou. Esquece. Passado.

    Ponto final. Vamos virar a página. Temos muito o que aprender com Guardiola, Mourinho, Bielsa, Low, Van Gaal e Wenger.

    O vexame de 7 a 1 em pleno Mineirão machuca a alma, fere o ego, dá o direito de dizer: “Até nunca!”.

    Mas não! Não morremos. Estamos diante da oportunidade de nos reinventarmos. Sem salto alto, vamos avançar.

    Há talentos. Mas podemos contar com capacidade diretiva para promover essa revolução?

    Notas -

    A escalação do menino Bernard foi uma tragédia anunciada. Felipão quis ser do contra e deu no que deu.

    - O óbvio seria povoar o meio-campo e especular durante toda a partida diante de um adversário obviamente melhor.

    - Apenas e tão somente a humilhação contra a Alemanha abriu os olhos dos brasileiros de uma maneira sólida e convicta: “Paramos no tempo”.

    - Até a Rússia! Imagino que Tite seja o único brasileiro capaz de levar a Seleção aos tempos modernos da bola.

    - Caso não dê certo, que um estrangeiro seja contratado. “Mas somos o País do futebol! “. Amigo, não mais.

    - GUARDIOLA, onde assino?

    No Twitter: @fabiolucasneves

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  • Especialista explica lesão de Neymar e próximos passos da recuperação

    - Por Fábio Lucas Neves / há 3 anos

    Muita dor, analgésicos e um colete para imobilizar a região. Estes devem ser os próximos passos para a recuperação de Neymar após fraturar a terceira vértebra e ficar fora da Copa do Mundo. O jogador se lesionou durante a vitória da seleção brasileira sobre a Colômbia, por 2 a 1, nesta sexta-feira, no Castelão.

    Em entrevista ao UOL Esporte, o doutor Alexandre Fogaça, especialista em coluna do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas, em São Paulo, explicou a lesão do astro brasileiro e disse que Neymar não correu maior risco em nenhum momento por se tratar de uma fratura estável.

    "Foi uma pancada que quebrou uma área mais periférica da vértebra. É uma fratura estável, conservadora, sem dano neurológico. A vértebra tem uma parte central, que é o canal, o problema é quando acerta a parte por onde passam os nervos. Isso acontece em uma queda mais brusca, queda de moto ou atropelamento. A dele foi mais leve. Não é instável, não precisa de cirurgia, mas requer repouso, um colete para imobilizar e analgésico", disse.

    De acordo com o doutor, Neymar pode retornar sem limitações em um período de seis a oito semanas. Uma recuperação "milagrosa" não está completamente descartada, mas por se tratar de um esporte de contato e alto rendimento, as chances de retorno são quase nulas.

    "Seis a oito semanas para consolidar. Vida normal. Não atrapalha de forma nenhuma, fica sem sequela. Ele é profissional, desempenha esporte de alto nível, que é o futebol. Essa lesão é incompatível com os movimentos da profissão. Ele está 99% fora. Pode ser que se supere, mas ele tem que ter liberação do médico. É complicado, sendo que ele pode sofrer outro trauma", analisou.

    Apesar de imobilizar, Neymar tem condições de se movimentar com certa limitação por conta da dor.

    "A lesão é estável, precisa cuidar da dor. Ele pode andar de carro, ônibus, avião", afirma.

    Logo após a partida surgiu um rumor de que o atacante foi retirado de forma indevida do gramado, o que poderia ter alterado negativamente o quadro. No entanto, Alexandre Fogaça explica que a lesão aconteceu no momento do impacto e não houve nenhum erro na remoção do camisa 10 do Brasil.

    "Não houve erro. A fratura aconteceu no momento do trauma. Ela é típica de contato direto", comentou. 

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  • Avô de Marcelo morre, mas lateral decide ficar concentrado, diz TV

    - Por Fábio Lucas Neves / há 3 anos

     lesão sofrida por Neymar na última sexta-feira, na vitória do Brasil por 2 a 1 sobre a Colômbia, não foi a única notícia ruim que o lateral esquerdo Marcelo recebeu no fim de semana. E nem a pior. O camisa 6 da seleção brasileira foi informado na manhã deste sábado sobre a morte do avô, um dos principais incentivadores de sua carreira.

    Pedro Vieira da Silva Filho, avô de Marcelo, tinha um tumor na medula óssea. No último dia 18, quando a seleção brasileira estava de folga, o lateral chegou a visitá-lo em um hospital no Rio de Janeiro.

    O avô foi um dos grandes responsáveis pela carreira de Marcelo. Era ele, por exemplo, que levava o lateral para treinos e peneiras.

    A causa da morte ainda não foi divulgada. Segundo a TV Globo, a comissão técnica liberou Marcelo para deixar a concentração da seleção brasileira na Granja Comary e se juntar à família, mas o lateral não aceitou.

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  • Sem Neymar, ainda nos restam cinco estrelas

    - Por Fábio Lucas Neves / há 3 anos
    Eu sei que a maioria dos leitores gostaria que o texto fosse escrito com criticas frontais e abertas ao volante colombiano Zúñiga, que tirou Neymar da Copa. Bom, costumo usar as reações que tive no momento do lance para formar opinião.
     
    Imaginei (como vocês) que a saída de Neymar havia sido uma forma de preservar o craque para a decisão diante da Alemanha. Mais: quando Felipão falou sobre a gravidade da lesão do ex-santista na entrevista coletiva, logo imaginei que o “recurso Arce” estava sendo usado.
     
    Aos mais jovens (estou ficando velho), conto que em um confronto importante contra o Palmeiras o então gremista Luiz Felipe Scolari engessou a perna sadia do lateral Arce para comprovar que o paraguaio estava machucado. Para surpresa geral, o guarani jogou e bem na partida que viria a seguir.
     
    Contudo, alguns minutos se passaram e o drama estava confirmado: o xodó do Brasil só voltaria a disputar um Mundial em 2018, na Rússia. Zúñiga, o colombiano, não fez uma falta plasticamente “assassina” – não vi maldade -, mas o efeito foi nauseante. A perplexidade causou calafrios, seguidos por momentos de pânico.
     
    “Como será contra a Alemanha???”, pensei, assim que a minha filha mais velha, Giulia, usava a camisa 10 de Neymar para enxugar as lágrimas. Logo, lembrei de Amarildo, o substituto do machucado Pelé em 1962, no Chile.
     
    Ok, é uma bola “muleta”. Então, que elejamos o Amarildo de 2014. Bernard? Não. Jô. Não. Hernanes? Não. Vamos adiantar Paulinho como ponta? Não. Quem sabe Daniel Alves mais adiantado? Não. Ouvi até que, cone por cone, Fred e Victor, o terceiro goleiro, poderiam formar a dupla de ataque para “segurar” os zagueiros da Alemanha.
     
    Muito mais do que condenar Zúñiga, o torcedor brasileiro deveria estar irritado com Felipão. Convocou 23 nomes, mas se esqueceu da possibilidade de perder Neymar. Kaká, Robinho e Lucas estão de férias. No esquema de jogo que imaginou (Neymar e mais 10), as alternativas são exíguas, mínimas, irrisórias.
     
    Se o futebol fosse uma ciência exata, a Alemanha somaria dois com dois e eliminaria o Brasil com quatro gols de diferença, fora o baile. Entretanto, a decisão acontecerá no Brasil, em Belo Horizonte, no Mineirão, terra de Bernard e do triunfo de Jô no mundo da bola. Coadjuvantes que já foram protagonistas no solo de Tiradentes e de Tancredo Neves. Por que não repetir a dose?
     
    Os órfãos de Neymar entrarão em campo com cinco estrelas no peito conquistadas por mineiros como Gilberto Silva, Tostão e um tal de Pelé. Paulistas, gaúchos, amazonenses, cearenses, paranaenses, cariocas, baianos, pernambucanos, goianos e maranhenses acreditarão no mesmo objetivo.
     
    O HEXA está na nossa terra. Bora alcançá-lo. Em casa, o Brasil não é zebra. E nunca será. Nos resta acreditar.
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  • Braçadeira sem capitão

    - Por Fábio Lucas Neves / há 3 anos

    Muitos (e muitas) encararam como machismo as críticas ao choro dos jogadores da Seleção antes da série de pênaltis diante do Chile. Reação simplista a algo extremamente mais grave (no campo esportivo, óbvio).

    O festival de lágrimas foi liderado por Júlio César e Thiago Silva. O goleiro, sem alternativa, tratou de retomar a concentração para ser decisivo nas batidas de Alexis Sanchéz e de Mauricio Pinilla e se redimir em parte das falhas na África do Sul.

    Entretanto, o zagueiro se escondeu da responsabilidade de maneira patética. E não falo apenas do fato de ter se recusado a caminhar até a marca da cal para enfrentar o arqueiro Claudio Bravo, como estava pré-determinado.

    O astro do Paris Saint-Germain, considerado o melhor zagueiro do mundo, foi incapaz de liderar os companheiros em um momento dramático. Fraco, o capitão abandonou o barco no momento em que os “subalternos” mais precisavam dele.

    Fred, alvo de piadas e contestações nessa Copa do Mundo, poderia estar chateado pela substituição contra os andinos, mas agiu como se ostentasse a braçadeira.

    Paulinho, de titular incontestável a bode expiatório pelo desempenho desanimador do Brasil na primeira fase do Mundial, mostrou hombridade e espírito de grupo ao incentivar os companheiros.

    Enquanto isso, onde estava Thiago Silva? Inconsolável, sozinho, semblante derrotado, em pânico com a tragédia que PODERIA acontecer. Não passava pela cabeça dele naquele momento a chance de real de passar de fase. Os saudosos Bellini e Mauro Ramos de Oliveira teriam ficado ruborizados, assim como Carlos Alberto Torres, Dunga e Cafu certamente sentiram vergonha do que viram.

    Inseguro e despreparado, o nosso “líder” sucumbiu e afirmo, com segurança, que os pentacampeões eliminaram a equipe de Arturo Vidal e Gary Medel APESAR do desequilíbrio emocional do camisa 3.

    Homem chora. Jogador de futebol chora, se emociona, tenta extravasar um momento de tensão por meio das lágrimas. Contudo, é fundamental que o autocontrole seja recuperado a tempo de tocar o trabalho adiante, como fez Júlio César.

    Por mais tenso que estivesse o ambiente, por mais responsabilidade que pesasse sobre os ombros, por mais insegurança que uma série de pênaltis pudesse provocar, é inaceitável que o capitão do time mais importante do planeta sinta MEDO do que – quem sabe – está por vir.

    Se o Chile tivesse avançado, Thiago Silva não seria um candidato ao posto de “novo Barbosa” do ponto de vista técnico porque faz até aqui uma competição em alto nível. Mesmo assim, a atitude do ex-zagueiro do Fluminense foi tão marcante negativamente que o vilão estaria eleito. Seria impossível não trata-lo como uma referência do fracasso.

    Notas

    - Tirar a braçadeira do ex-defensor do Fluminense acabaria com a autoestima do atleta. Contudo, será fundamental que outros jogadores assumam o vestiário. David Luiz, comenta-se nos bastidores, é mais indicado para se tornar o capitão de direito da Seleção.

    - O Brasil passará pela Colômbia porque os cafeteros são fãs do nosso futebol e, duvido, atuarão sem a devida dose de respeito. Basta à equipe de Scolari se impor na disposição. Bola, Neymar e companhia têm para bater a turma de James Rodriguez.

    - Meu palpite para as semifinais: Brasil x Alemanha e Argentina x Holanda.

    No Twitter: @fabiolucasneves

    Foto: UOL

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SOBRE O COLUNISTA

Iniciou a carreira em 1999 na Rede Bandeirantes de Rádio. Passou pela Rádio Jovem Pan e empunhou por seis anos o microfone da TV Record. Desde março de 2008, é editor-chefe do site Terceiro Tempo. Em julho do mesmo ano, foi contratado para integrar o time de repórteres da Band.