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VoltarTemos problema de cabeça
Está claro que perdemos para o México por razões que pertencem ao futebol e por razões que não pertencem especificamente ao futebol.
Está claro que perdemos para o México por razões que pertencem ao futebol e por razões que não pertencem especificamente ao futebol. Vou tentar explicar melhor: nossa derrota ocorreu pela falta de organização dos cartolas, pelos erros de Mano Menezes, pelo inaceitável mau rendimento de alguns dos principais jogadores. Mas também por uma dificuldade que o atleta brasileiro tem, e não é de hoje, de lidar com o favoritismo.
Das cinco Copas que ganhamos só éramos favoritos em 1962, quando entramos como campeões. Em 1958, 1970, 1994 e 2002 saímos desacreditados e voltamos com o caneco. Em compensação, éramos super favoritos em 1950, 1966, 1974, 1982, 1986, 1998, 2006 e 2010 e acabamos levando chumbo.
Nos outros esportes, só nessa Olimpíada, para não ir muito longe, César Cielo, Fabiana Murer, vários judocas, Diego Hypólito, o pessoal do vôlei de praia, do vôlei masculino e outros que agora não me lembro ganharam todos os títulos que disputaram no ciclo olímpico, viraram favoritíssimos, mas na hora H, quando mais valia, fracassaram.
Por tudo isso, em qualquer trabalho sério que se faça no país buscando conquistas futuras, seja no futebol ou nos outros esportes, é fundamental que pensem nisso, na questão psicológica, no porque nossos atletas se encolhem quando mais deles se espera e crescem quando entram como zebras.
De duas uma: ou nossos principais atletas fracassam quando são favoritos porque se enchem de soberba e metem o chamado salto alto ou porque não sabem conviver com a responsabilidade de confirmar na hora H aquilo que foi feito em outros momentos de menor relevância.
Seja o que for essa é uma questão que deve ser amplamente debatida em busca de uma solução que venha rapidamente.
Imagem: @CowboySL