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VoltarAposentadoria por invalidez
Maria, pobre Maria.
Vira e mexe, a F1 trata de inventar alguma coisa para reduzir custos, o que é plenamente aceitável, levando-se em conta a crise na Europa, apesar de todo dinheiro que a categoria arrecada nos contratos milionários televisivos e com patrocinadores de peso.
Desde 2008 os motores estão "congelados", ou seja, não são permitidas melhorias por parte dos fabricantes.
Então, com o intuito de que os carros tenham melhor desempenho, despejam rios de dinheiro em aerodinâmica, seja em túneis de vento ou em recursos de informática, como o CFD (Dinâmica de Fluídos Computacionais).
Ainda com relação aos custos, os testes foram proibidos. Ou seja, a Ferrari, por exemplo, que tem dois circuitos (Mugello e Fiorano) não pode utilizá-los para saber a quanto andam (literalmente) seus carros...
Aí, já que a aerodinâmica tornou-se o "pulo do gato", liberaram os times a realizarem testes em aeroportos, em linha reta.
Há alguns absurdos, nessa história, que só veio à tona por conta do acidente com a piloto de testes da Marussia, a espanhola Maria de Villota, no aeroporto de Duxford, na Inglaterra.
Maria perdeu o olho direito e, com isso, a chance de continuar sendo piloto, mesmo que não chegasse a disputar uma prova na Fórmula 1. Ela já havia guiado no WTCC (campeonato de turismo) e na Fórmula Superleague (monopostos), com um carro que representava o Atlético de Madrid.
Pasmem, mas estes testes não são realizados em aeroportos fechados.
A torre do aeroporto fica em comunicação com o engenheiro responsável e libera o carro para arrancar pela pista.
As equipes, então, ficam um dia inteiro simulando diversas situações (velocidades constantes, desenhos diferentes de asas, regulagens diferentes de asas e também a abertura da asa traseira e diferentes tipos de assoalho, entre outras).
Maria de Villota bateu em um caminhão, próximo ao local do teste, algo extremamente improvável que tivesse acontecido em um autódromo.
Será que é preciso que aconteça um acidente desse tipo para que se pense em alguma providência?
Foi a piloto de testes da Marussia. Normalmente são os pilotos de testes que fazem esse tipo de trabalho. Bruno Senna, no ano passado, testou pela Renault em um aeroporto, antes de assumir a vaga de Nick Heidfeld.
Deveria partir das equipes um ponto final nessas decisões da FIA, principalmente quando se trata de segurança.
A última morte na F1 foi em 1994, e muitas mudanças foram feitas para que nesses 18 anos nenhuma outra tragédia tivesse acontecido.
Mas precisou ter acontecido com um tricampeão do mundo, que havia largado na pole e liderava a corrida.
Maria, pobre Maria.
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Marcos Júnior Micheletti
E-mail:
marcos@terceirotempo.com.br