Marcus Alves
Colaboração para o UOL, em Lisboa (POR)
"Vamos, quero música para os meus ouvidos aqui dentro, vamos", repetia Joaquín Caparrós, que assumiu o lugar de Vincenzo Montella, demitido, durante treino do Sevilla.
O experiente treinador comandará o time andaluz nas últimas quatro rodadas da Liga Espanhola e tenta pôr fim à crise com a conquista de uma vaga europeia. Depois disso, irá se aposentar do banco de reservas e ficará a cargo do futebol do clube na próxima temporada. Na prática, aproveitará esse período de um mês para analisar o elenco e definir os nomes que seguirão em Nervión e possíveis saídas.
Conforme apurado pelo UOL Esporte, os brasileiros Paulo Henrique Ganso e Guilherme Arana têm futuro em aberto.
Uma decisão sobre os dois passará pelo italiano Enzo Maresca, único remanescente do trabalho com Montella e que tem auxiliado Caparrós na tarefa para compreender o que aconteceu nos últimos meses. Eles já foram informados pela cúpula que o planejamento é enxugar gastos e, por isso, devem ser feitas vendas na janela de transferências europeia.
Em alta no mercado, o francês Lenglet é um dos favoritos para deixar o estádio Ramón Sánchez Pizjuán e mantém conversas com o Barcelona. Como parte do acordo, segundo pessoas ligadas ao colombiano Mina, ele pode ser repassado por empréstimo ao Sevilla. O ex-palmeirense é a última opção dos catalães na defesa e fez apenas três jogos até aqui.
O treinador Ernesto Valverde chegou a se irritar com perguntas a respeito. "Pelo visto, revolucionei muitos países. Mina é um zagueiro e temos quatro no elenco. Ele chegou em um momento difícil para se encaixar na equipe, porque a temporada estava em andamento", ironizou.
Existe o compromisso informal entre Barça e Palmeiras de que o time alviverde será o primeiro a ser procurado caso Mina retorne ao Brasil, mas essa é uma possibilidade tratada como remota pelo estafe do zagueiro.
O mesmo não se pode dizer de Ganso, que continua sem entrar em campo em 2018 e não vinha nem mesmo treinando com o grupo principal. O seu ostracismo acabou com a vinda de Caparrós. O meia de 28 anos voltou a trabalhar com os companheiros e está à disposição para colaborar nessa reta final.
O seu entorno apostava na queda de Montella e do diretor Óscar Arias para mudar o atual panorama, como, de fato, ocorreu. Os dois são tidos como culpados pela ausência de chances. Montella, por outro lado, chegou a sugerir que Ganso carregava um "problema físico" desde dezembro e, por isso, não era relacionado. Enquanto Arias deu a entender que se tratava de uma escolha do treinador. No fim das contas, ninguém se entendia no Sevilla.
Sobrou ainda para o recém-contratado Guilherme Arana, ex-Corinthians, que desembarcou na virada do ano e foi utilizado apenas três vezes. Os seus representantes se movimentam e acenam com uma possível mudança para o Lyon caso não escutem a promessa de mais espaço na próxima temporada.
O drama de Arana foi comum a outros reforços de inverno, caso de Roque Mesa e Sandro, que também sofreram para entrar nos planos de Montella e retratam a distância que havia entre diretoria e comissão técnica.
Conversa ao pé do ouvido com Ganso
O cenário mudou drasticamente para Ganso. Um exemplo nesse sentido foi o tratamento considerado mais humano dado por Caparrós logo em seus primeiros dias. Ele e seus auxiliares chamaram os atletas um a um para uma conversa particular e ouviram as suas impressões sobre o momento do Sevilla e o que poderia ser feito para reverter a má fase.
Ganso, que se mostrava incomodado com a suposta falta de respeito por parte de Montella e dos cartolas, foi um dos escutados. Ele se encontrava totalmente afastado do dia-a-dia da equipe.
Agora, isso mudou. Com o novo comando, se apresenta às 9h da manhã ao lado dos colegas para o café da manhã, corre para o campo a partir das 11h e, ao fim da atividade, almoça também no clube. A ordem é que todos passem o maior tempo possível juntos para reestabelecer os laços perdidos na caminhada.
Eles não abandonarão mais Sevilla nessas últimas rodadas. Ao todo, o time de Nervión fará três jogos em casa (Real Sociedad, Real Madrid e Alavés) e visita o rival Bétis no clássico que divide a cidade.
Filosofia italiana para trás
Com a saída do diretor Monchi para a Roma e escolha de Arias como o seu substituto, o Sevilla deixou o mercado francês e sul-americano mais de lado e passou a apostar suas fichas no italiano. Entre outros, veio o atacante Luis Muriel, reforço mais caro de sua história a um custo de 20 milhões de euros e que não convenceu ninguém internamente.
Montella foi outra decepção, mesmo com o resultado heroico contra o Manchester United, em pleno Old Trafford, pela Liga dos Campeões. O técnico não rodou o elenco como deveria, o desgastou e pagou o preço quando a temporada afunilou.
Com Caparrós à frente do futebol, o clube deve voltar às suas origens e recorrer a um nome espanhol identificado com as suas raízes.
Os andaluzes estão em oitavo lugar no campeonato, com 48 pontos, a um do Getafe, que estaria se classificando para a fase eliminatória da Liga Europa nesse momento.
Foto: Manu Fernandez/AP (via UOL)

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