Quando o empresário de Everton Ribeiro avisou que ele estaria disposto a voltar após dois anos nos Emirados Árabes, o mercado da bola se acendeu. Clubes como São Paulo, Cruzeiro e Flamengo manifestaram interesse no meia e outros tantos, como o Palmeiras, também viraram alvo de especulações. Uma semana depois, todos seguem longe de fechar negócio.
O problema é que o atual clube do meia não quer participar dessa novela. O Al Ahli pagou cerca de 15 milhões de euros pelo "Craque do Brasileirão" em 2013 e 2014 e tem contrato com Everton Ribeiro até janeiro de 2019. O brasileiro é uma das estrelas do time dos Emirados, que está no mata-mata da Liga dos Campeões da Ásia. Esportivamente, os árabes não têm interesse em perder o jogador. Em último caso, cobrariam bem caro por isso.
Dirigentes de clubes interessados e empresários com trânsito no Al Ahli falam em algo em torno de 7 milhões de euros pela liberação de parte dos direitos econômicos de Everton Ribeiro. O time de Dubai tem fama de ser duro em negociações deste porte e pretenderia, no mínimo, reaver o valor proporcional ao que investiu por quatro anos de contrato.
O peso do Al Ahli pode ser notado na diferença de tom entre Everton Ribeiro e seu estafe. "Nunca antes um clube brasileiro esteve tão próximo. [...] Neste momento estamos direcionados a outro projeto. Já me reuni com os representantes do clube e comuniquei a eles o desejo do jogador que é de sair", disse Robson Ferreira, empresário do meia, ao UOL Esporte, na quarta passada. "[A transferência] passa muito pelo clube aqui primeiro. Tenho mais dois anos de contrato. Chegaram algumas coisas, mas passa pelo clube", disse Everton Ribeiro no último fim de semana, à rádio Itatiaia.
Quem está mais forte na briga pelo meia?
A notícia de uma possibilidade, independentemente das dificuldades, mobilizou os cartolas. Ao menos três clubes manifestaram interesse no meia. O São Paulo consultou o estafe de Everton, mas se frustrou ao ouvir os valores. Ele ganha, por mês, cerca de R$ 1,14 milhão, valor proibitivo para o mercado brasileiro. Estaria disposto a reduzir os vencimentos para R$ 800 mil, mas a quantia ainda assim supera o teto salarial no Morumbi e a diretoria se considera fora do negócio.
O Cruzeiro fala em "portas abertas" ao velho ídolo, mas também não se empolga. A diretoria mineira tem problemas com o estafe de Everton Ribeiro, que cobra dos cartolas parte das luvas que ele deveria ter recebido em 2011, quando trocou o Coritiba pelo clube em que seria bicampeão brasileiro.
Quem mais avançou nas conversas foi o Flamengo. Rodrigo Caetano, diretor-executivo de futebol na Gávea, tratou a consulta a um jogador como Everton uma "obrigação" para alguém em sua posição. O clube entende que não há tempo hábil para uma negociação deste porte imediatamente – a janela atual fecha em 4 de abril. A ideia rubro-negra é se preparar para um negócio no meio do ano.
O salário não assusta. Atualmente, Diego e Guerrero ganham entre R$ 600 e 700 mil, valor no qual o clube acredita que pode chegar em uma negociação com Everton. A pedida do Al Ahli também poderia ser contornada se os árabes estivessem dispostos a ceder um pouco no valor e aceitassem pagamento parcelado. Neste cenário, a vontade do jogador seria fundamental para convencer os dirigentes de Dubai, como aconteceu com William Arão, Diego, Berrío e Conca, exemplos que de alguma forma venceram a queda de braço em seus clubes para chegarem à Gávea.
O quarto clube na lista seria o Palmeiras, clube que sondou a situação do meia no início do ano passado. Alexandre Mattos, diretor de futebol alviverde, trabalhou com Everton Ribeiro nos tempos de Cruzeiro e é padrinho de casamento do jogador. O clube, no entanto, nega qualquer interesse na negociação. Ao programa Mesa Redonda, da TV Gazeta, o presidente Mauricio Galiotte disse que foi consultado pelo estafe de Everton, mas está satisfeito com as opções que tem atualmente no elenco, citando Dudu, Guerra e Michel Bastos como exemplos.
Na avaliação palmeirense não há a necessidade de investir em Éverton Ribeiro neste momento por questões técnicas, como ressaltara Galiotte. Apenas circunstancialmente, em caso de lesões dos atletas da posição, por exemplo, o Palmeiras entraria na briga para negociar com o meia e amigo de Alexandre Mattos. O salário, neste caso, também não assustaria o dono do maior patrocínio do futebol brasileiro na atualidade - obviamente, valores seriam negociados e, provavelmente, reduzidos. Como grau de comparação, Miguel Borja, maior investimento da Crefisa no ano, possui vencimentos de 100 mil dólares (R$ 314 mil), quantia da qual a parceira ajuda com R$ 200 mil.
*Reportagem de José Edgar de Mattos, Pedro Lopes, Thiago Fernandes e Vinicius Castro
Foto: REUTERS/Andres Stapff

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